sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O cavaleiro Cortado ao Meio

Ontem saí da escola, agora já nem sirvo para esmola.
Fui trespassado por um varão, ferido, triste, sem nada aqui, estou caído no chão, apenas oiço gritos, mas ninguém me alberga, nesta batalha éramos peritos, não olhávamos para aquela à nossa direita, mencionada de morte, eu dizia para ir contra o inimigo, com artilharia, as bestas e o meu esquema, trespassei doze, não queria, mas era este o meu lema. “Sim meu coronel”, dizia eu no quartel, pois bem dizia, mas enfrentar a morte é um incidente, eu agora designo a palavra “fatalmente”.
Toda esta tristeza em quatro minutos porque enfrentei, pelo meu pais, lutei, por ele chorei, para a minha vida agora estar acabada, eu que bebia copos com a verdade, agora estou com a morte de mão dada.
Aqui estou a desfalecer, sem nada para te dizer, aliás apenas cinco frases para te esclarecer:
- Isto pela tua independência , pelo teu futuro, mas uma coisa eu te digo, por tudo o que é puro, morro cortado ao meio, eu sei que é feio, mas agora vou fechar os olhos, porque disse o que tinha a dizer, morri com prazer, pelo teu país.





Miguel Pereira nº 12
O Jogo das Contas de Vidro

Há muito, muito tempo, num país chamado Jogalândia havia muitos jogos como o Xadrez, Damas, Copas, entre muitos outros.
Houve um dia que parecia igual a tantos outros, às sete e meia da manhã, os três anciões do jogo acordaram e decidiram inventar um jogo completamente novo e inovador e então decidiram começar imediatamente.
Quando começaram a construir o jogo precisaram de vários materiais, vidro madeira, tintas e contas, e então lá começaram a construir o seu jogo.
Primeiro cortaram a madeira para fazer o tabuleiro do jogo em forma de hexágono, desenharam no tabuleiro em quatro fatias e pintaram o tabuleiro com várias cores e, por fim, para acabarem o tabuleiro, colocaram em cima dele uma placa de vidro.
Duas semanas depois começaram a trabalhar nas peças do jogo. As peças eram parecidas com as do xadrez e feitas em vidro. Estando o jogo finalmente acabado de construir, inventaram as regras.
O objectivo do jogo era eliminar os contas do adversário e penetrar com todas as contas pelo adversário até ao lado dele.
Quando, um dia, a aldeia, onde o jogo estava a ser testado, foi atacada pelas cartas demoníacas assassinas os anciões, para protejer o jogo, decidiram escondê-lo, mas, por acidente este sofreu um acidente. O jogo adquiriu poderes mágicos e passou a emitir uma luz branca e muito intensa e depois desapareceu como por milagre, ao mesmo tempo que as cartas assassinas apareceram e mataram os anciões.
Cem mil anos depois o jogo apareceu numa cidade ao pé de um rapaz chamado Timmy. O rapaz leu as instruções e disse ao irmão para jogar com ele e então os dois, quando estavam a meio do jogo das contas de vidro, foram teletransportados para a Jogolândia…
Num dia de manhã eles apareceram em casa e começaram a relatar as suas aventuras na Jagolândia.
Trabalho realizado por: Tiago Campos, nº21, Turma: PTIG
Terra Sonâmbula

Finalmente chegou o dia por que tanto esperei, acabaram as aulas e vou poder ir passar férias para um sítio totalmente diferente.
Ainda não sei para onde os meus pais querem ir, eles dizem que querem ir para um sítio onde não conhecem ninguém, precisam de conhecer sítios e pessoas novas.
Amanhã vamos partir, vamos explorando terras até descobrirmos a perfeita para as nossas férias, só espero que eu goste.
Passámos por tantas terras e nenhuma era boa, todas tinham um defeito, mas, finalmente, encontrámos uma que agradava a todos, chegámos há pouco tempo e acabei agora mesmo de me instalar num dos quartos da pensão que os meus pais escolheram, a pensão parece-me ter um ambiente agradável e a vila também.
Já falei com os meus pais e depois do almoço vou dar uma volta para conhecer a vila e pode ser que encontre alguém para conhecer, já que vou cá ficar duas semanas.
Pode parecer estranho, mas corri a vila de uma ponta à outra e não vi uma pessoa que seja, não vi nem um passarinho nas árvores, nem um cão a vaguear pelas ruas, será que somos os únicos existentes aqui?
Ao fim de uns minutos descobri que não éramos os únicos, vi finalmente pessoas, aproximei-me de um grupo de raparigas que estavam por ali no jardim a ouvir música e elas foram muito simpáticas para mim, fizeram com que me sentisse super à vontade e até me convidaram para sair com elas depois de jantar, para irmos a um bar ali perto ouvir um pouco de música e conversar.
Assim que voltei para a pensão contei aos meus pais que já tinha feito amizades e que depois de jantar ia ter com as raparigas ao tal bar.Os meus pais concordaram sem qualquer problema.
E assim foi, logo depois de jantar fui ter com elas ao bar, foi espectacular, divertimo-nos imenso e passámos a noite a rir.
Este programa repetiu-se por muitos dias, só havia uma coisa estranha, todas as noites, sempre que estava a tentar adormecer, ouvia uns barulhos estranhos na rua, era como se as pessoas andassem pelas ruas a fazer a vida delas como se fosse de dia, mas nunca dei importância, pensava que era apenas imaginação.
Mas aquilo repetiu-se durante tantas noites que finamente decidi sair à rua e ver o que se passava, quando dei por mim a olhar para montes de pessoas que andavam ali na rua tipo zombies. Fiquei sem reacção, nem tive a reacção de chamar as pessoas e perguntar o que estavam ali a fazer, ao fim de uns segundos olhei para o lado e vi uma das raparigas que tinha saído comigo a dirigir-se par uma estrada que parecia não ter fim.
Decidi ir atrás dela, para ver o que se passava. Foi quando vi uma lagoa linda para onde ela se estava a dirigir, ela atirou-se lá para dentro e quase ia morrendo afogada, eu corri para a salvar e por sorte fui a tempo, se eu não estivesse ali ela podia ter morrido. Cheguei à conclusão que aquelas pessoas eram sonâmbulas, aquela era uma terra sonâmbula.
Quando contei aos meus pais eles não acreditaram e chamaram-me maluca, disseram que era apenas um sonho, mas não era, tenho a certeza.
Tenho a certeza que aquela era uma terra sonâmbula!

Milene Campos Nº14 PTIG
O Nome da Rosa

Já há muito, mas mesmo bastante tempo que uma senhora muito bonita tinha flores no seu jardim, este estava com vários tipos de flores, mas o jardim tinha mais rosas do que outro tipo de flores.
Um dia, a senhora estava a cuidar do seu jardim e o marido estava no alpendre a ver a esposa a cuidar das flores, quando o senhor reparou que a sua esposa tinha várias qualidades de flores, mas tinha mais rosas
Ele voltou-se para a esposa e disse: devíamos dar um nome a esta rosa tão bonita quanto tu.
A senhora levantou a cabeça e já vinha com um sorriso de orelha a orelha e disse: "tens razão, mas qual o nome a dar-lhe?" E ficaram a pensar…
No outro dia, quando o senhor estava a voltar do trabalho, viu uma rosa igual àquela que queria dar um nome, ele tirou a faca do bolso e vai em direcção à pernada da roseira e cortou a flor para a sua mulher.
O senhor, ao chegar a casa, com a mão atrás das costas, ao chegar ao pé da sua mulher, disse-lhe:

Oh tu mulher tão bonita
Ao olhar para esta rosa
Vi o teu nome escrito nela
Porque é bela como tu…

A senhora ficou toda feliz e foi em direcção ao seu marido e beijou-o…
À noite, o homem estava ainda a pensar no nome para a rosa e entretanto lembrou-se: "já sei que nome vamos dar à rosa, a partir desta hora vai começar a chamar-se o teu nome, Joana"…
-Mas porquê o meu nome?
-Porque tu és bela como a rosa…
-Obrigado!
E foi assim que se deu o nome à rosa, e "a partir de amanhã vou começar a tratar dela com o maior carinho possível…"

João Lança, nº8, 1ºPTIG
O Inventor de Passados

Após ser demitido, Samuel, que trabalhava num arquivo de identificação, a sua vida começou a correr um pouco mal, começando por perder a sua namorada e os problemas de saúde que a sua mãe tinha não paravam de o atormentar. Agora, sem emprego, seria ainda mais difícil tratar do problema dela e dos seus também, como as dívidas que tinha que pagar.
Samuel andou pela cidade inteira em entrevistas de trabalho à procura de emprego, mas sem sucesso, o que o ia deixando mais deprimido. Com todo este stress, acaba por acontecer algo já previsível, mas muito mau: a morte da sua mãe. Desde aí nunca mais teve vontade de fazer fosse o que fosse, passava os dias ou trancado em casa ou vagueando pelas ruas da cidade, sempre na solidão.
Certo dia, encontrou um grupo de pessoas, perto de um cais, que lhe chamou a atenção, talvez porque se pareciam com ele, na desgraça e na própria solidão. Samuel começara a rondar cada vez mais aquela zona, até que certo dia se meteu com eles. Foi então nesse momento, de ver como os outros estavam, tendo passados dificuldades e problemas, que se lembrou do que poderia fazer para a vida, o trabalho seria ilegal, é uma verdade, mas conseguiria ajudar muita gente e a si próprio, e para mais, ligava a sua antiga profissão ao tal trabalho, com os conhecimentos que tinha, era bem capaz de resultar.
Começou então esse seu trabalho oculto, onde iam aparecendo os passados mais bizarros que podiam existir. O seu trabalho era mudá-los, arranjando identificações e notas que identificassem quem lhe submetera o trabalho de uma forma boa, com um passado apresentável, daí a conseguirem arranjar emprego e/ou uma vida melhor.



Edgar Silva
Nº6 2010/2011
Crime e Castigo

Tudo começou quando um dia, por acaso, nos encontrámos novamente nas compras de Natal.A partir desse dia tudo voltou a ser como era há um ano ou mais atrás.
Neste novo reencontro era tudo perfeito, foi assim que decidimos voltar com uma ralação, aberta e após muitos meses começámos um namoro.
Ele nunca se tinha demonstrado violento comigo nem com amigos, nunca se metia em confusões.
Um dia, após vinte e quatro meses de namoro, houve uma grande confusão com uma ex namorada tresloucada que enviou uma caixa para a minha morada, vinha com um cartão, onde estava escrito o seu nome e quem era - mesmo ela para se meter nas nossas vidas.
Eu abri, tirei a fita, tirei a tampa, e ainda tirei papéis soltos que vinham lá dentro, quando olhei era uma foto minha e do meu namorado lá com uma faca a furar a foto, eu comecei a chorar, assustei-me!
Liguei ao meu namorado que a encontrou minutos depois e falou com ela e a única coisa que ela lhe disse foi: - Nunca mais vão descansar, eu não vos vou deixar se não voltares para mim!
Ele deu-lhe uma chapada, mas foi um impulso, nunca com a intenção de ficar mesmo mal. Ela não reagiu, e foi-se embora.
Quando nos encontrámos, eu e ele falámos sobre o assunto e ele disse: -Se estou contigo, contigo fico até morrer!
Eu fiquei feliz por saber.
Anos mais tarde, cerca de três anos, casámo-nos e já vivemos juntos há dez anos. Agora escrevo aqui que nunca devíamos ter casado, foi a pior coisa que podia acontecer. Acordo agora todos os dias com medo de estar ele a meu lado, para me fazer algo.
A ex-namorada tem sido a pior coisa da minha vida, e a melhor da vida dele, eles encontram-se, eles fazem sexo juntos, posso até afirmar que tem outra.
Ele todos os dias, por volta da 20 horas da noite prepara-se, veste a melhor camisa que tem, os seus sapatos de marca, as suas calças de ganga escura e o seu casaco preto de cabedal e sai para noite.
Eu fico a pensar, tantos anos que pensei que tudo ía ser perfeito, ele tinha dito que ía ser para sempre comigo, mas pelos vistos estava a mentir quando o disse. (Alguns anos mais tarde volto a escrever).
Há dois ou três dias encontrei-a e pensei “vou ter de fazer alguma coisa”, foi assim que aconteceu.
A minha cabeça já andava saturada por tudo o que estava a acontecer naquela altura.
Escrevo aqui e já admiti perante familiares, amigos e juiz! Matei-a!
Agora encontro-me aqui, na prisão, a escrever a continuação do acontecimento que escrevi á anos.
Com este acto estraguei tudo, estraguei a vida dos seus familiares, dos meus e dela, fui estúpida, fiz tudo por amor e agora o meu ex. marido, se já o posso chamar assim está no estrangeiro com “amigas”, eu aqui infeliz, ela noutro mundo e ele nunca mais quis saber de mim.
Por amor fazemos qualquer coisa sem pensar que só depois de tudo percebemos que a única que fizemos foi estragar as nossas vidas.
Acabo aqui o desabafo, e espero que quem ler isto perceba o meu acto e que tudo o que fiz foi por um amor antigo, e que apesar de tudo permanece.




Melina Guerreiro Nº11 PTIG
A Casa da Cabeça de Cavalo

Era uma vez, numa terra longínqua e misteriosa, situada algures no centro do continente Asiático, perto da cordilheira dos Himalaias, existia uma lenda antiga de uma fortaleza de guerreiros temíveis e sanguinários, que só se sentiam bem com a morte de aldeões de aldeias e vilas próximas. Dizia-se que esses guerreiros se punham em marcha para atacar ao anoitecer, nos dias em que a lua estava cheia, ou lua nova, ou em quarto minguante, ou em quarto crescente, bem, praticamente era quase todos os dias, para ser mais preciso, era quase todas as noites.
Há relatos de pessoas que dizem que nessa fortaleza havia uma casa com uma cabeça de cavalo por cima da porta. A casa da cabeça de cavalo era a casa do chefe da fortaleza. Esse chefe era um busto de pedra que estava por cima da lareira que se transformava em pessoa todos os dias ao amanhecer. Esse chefe da aldeia era assim, porque ele era um centauro que foi trespassado pela espada de um guerreiro de uma aldeia saqueada por os seus guerreiros também centauros. Bem, esse guerreiro era dotado de um dom de magia,pois quando ele trespassou o chefe centauro lançou um feitiço que o separaria do seu corpo de cavalo. Então, subitamente, o chefe centauro, na sua metade humana, ficou aprisionado nessa forma de estátua e a sua metade de cavalo sofreu um processo diferente, esse processo foi que na casa do chefe centauro, por cima da porta nasceu uma cabeça de cavalo de metal estranho.
Pronto, e assim nasceu a lenda.

David Lourenço nº 5
Olhai os Lírios do Campo

Há algum tempo havia um rapaz com dezanove anos que se chamava João, ele era um rapaz simples que vivia no campo com os seus avós. Um dia apaixonou-se por uma rapariga que vinha passar férias à casa da sua tia lá perto do seu campo.
Ao longo de alguns meses de uma excelente amizade com a Joana, João decidiu contar-lhe tudo o que sentia por ela. Ao longo de muita conversa, Joana fica feliz com o que acabava de ouvir e decidiu dizer-lhe que ela sentia o mesmo por ele. Desde aí viveram felizes, com muitas aventuras vividas juntos. O único problema era quando a Joana tinha de ir à cidade, por causa dos estudos que ainda tinha por acabar, porque de resto estavam os dois muito apaixonados e felizes. Até que um dia, a Joana voltou para a casa da sua tia, no Natal, acompanhada pelo seu melhor amigo Miguel. O João foi logo muito contente cumprimentar e abraçar a sua namorada, e nem ligou muito ao Miguel. Mas um dia, a Joana contou ao João das prendas que o Miguel lhe tinha oferecido. Então, desde aí, o João sentiu-se inferior por não conseguir comprar algo tão caro e lindo como as prendas do Miguel, por isso, ao meio dia, sem mais nem menos, João desapareceu de casa e até às 21:00 horas ninguém o viu. Os avós não se preocuparam muito, porque tinham o pensamento de que ele estava na casa da Joana. No dia seguinte, de manhã, quando a Joana abriu a sua porta de casa, todo o exterior da casa e o quintal inteiro estava coberto de flores amarelas, lindas, belas, e o João ao pé da Joana a murmurar ao pé do seu ouvido: - Olhai os lírios do campo Joana!

Daniel
O Inventor de Passados

Era inverno naquela pacata ilha, e os aldeões que não podiam sair à rua devido ao inverno rigoroso daquela região, reuniam-se todos no grande casarão no centro da cidade, casarão este que pertencia ao Contador. Contador por assim dizer, todos o conheciam por este nome, pois em todos os invernos de todos os anos os aldeões se reuniam para ouvir o senhor José contar as suas aventuras, algumas vividas, outras sonhadas e ainda algumas inventadas. Durante todas as estações quentes o Contador viajava para poder dar aos seus amigos aldeões histórias quentes das suas aventuras. Na aldeia todos gostavam do contador, apesar de ser um jovem já com algumas décadas vividas, fossem crianças como adultos, não perdiam a oportunidade de ouvir uma das suas histórias.
Eram sempre diferentes, ora falava sobre as suas cicatrizes de guerra, ora sobre o enorme tubarão que pescara perto da costa de um país longínquo que muitos nem sonhavam que existia. O inverno aproximava-se de novo e, como de costume, todos aguardavam ansiosamente pela chegada do contador. Esperaram um dia, dois dias, três dias, um mês, dois meses, até que a notícia chegou, o contador tinha sido apanhado no meio de uma guerra civil para os lados de França e havia sido morto por uma granada deixada para trás pelos militares. Toda a vila ficou chocada com a notícia, ninguém sabia o que dizer ou o que fazer, como iriam eles aceitar a morte do seu grande contador, que era o seu consolo durante os dias chuvosos e frios de inverno. Passados alguns anos a vila estava quase deserta, algumas pessoas tinham simplesmente abandonado as suas casas e viajado para a ilha vizinha, as mais velhas tinham morrido, e dos cinco centos de aldeões havia apenas sobrado um, um rapaz na casa dos vinte, que dedicava a sua vida a cuidar do casão do senhor José e a escrever as histórias por ele contadas. “Histórias do Passado” era este o título daquele livro dedicado ao Sr. José, livro publicado alguns anos depois e que ainda hoje circula pelas mesas de alguns leitores aplicados.




Pedro Nunes nº16
P.T.I.G 2010/11

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Eu Hei-de Amar uma Pedra

Durante anos e anos um casal de namorados encontrava-se numa lagoa.
O jovem de dezassete anos estava completamente apaixonado por Inês, que tinha um feitio um pouco reservado, não mostrava sentimentos nenhuns pelo jovem, que se chamava José.
José, quando se encontrava com Inês, sentia o coração a saltar pela boca, ele amava Inês como nunca amara ninguém.
Inês era uma jovem que tinha apenas quinze anos e também amava José, mas não mostrava os sentimentos, nunca chorava, nem as emoções ela revelava.
José, um rapaz totalmente apaixonado, estava a começar a achar que Inês não o amava. José já estava a ficar desesperado…
Podia-se dizer que José amava uma pessoa com coração de pedra…
José andava triste, muito mal encarado, e ninguém percebia o motivo, até que foi ter com um amigo e desabafou e foi nessa altura que o amigo do José lhe perguntou se ele a amava mesmo. A sua resposta foi um sim, reforçando esse sim com uma expressão:
”- Eu Hei-de amar uma Pedra”, e Inês ouviu-o quando estava prestes a entrar na sala e soltou a primeira lágrima, que fez sorrir José. Correram para junto um do outro e colidiram os seus lábios, fazendo assim as pazes e ficando assim tudo bem.
Inês e José estão casados têm dois filhos , feitos com muito amor e carinho. Inês hoje, desde aquele momento, mudou a sua personalidade.


Ruben Bernardino ,Nº19, TIG
Como Água para Chocolate

Uma jovem rapariga, muito bem parecida, vinda de boas famílias, morava numa pequena cidade do México e envolveu-se com um rapaz, que vinha da capital.
A relação começou porque a rapariga foi contratada para cozinhar na grande festa de angariamento de fundos para uma fundação da capital mexicana. Esta festa tinha como objectivo ajudar os agricultores que cultivam o cacau, que é muito utilizado nos pratos mexicanos.
O rapaz, que trabalhava como supervisor dessas mesmas culturas de cacau, ficou impressionado quando provou os cozinhados à base de chocolate que a rapariga tinha preparado.
Eles conheceram-se melhor, por iniciativa do rapaz. Mais tarde começaram a ficar mais íntimos, e finalmente começaram a namorar. O namoro não era muito bem visto pelos membros das duas famílias, pois ele era um rapaz formado e ela uma simples cozinheira.
Mas, com o tempo, tudo se foi ajustando, até a mãe da rapariga adoecer gravemente e ficar numa cama a precisar da ajuda da filha, pois esta trabalhava em casa.
O namoro ficou mais sério e o rapaz pediu a rapariga em casamento, mas o problema era que esta não podia casar com ele, porque tinha de cuidar da mãe.
O namoro ficou num impasse, pois o rapaz não queria esperar pela rapariga.
Todos diziam que o noivado estava condenado, mas a rapariga estava mesmo apaixonada e tentou arranjar maneira de ajudar a mãe de outra maneira, a solução não surgiu, e o rapaz desistiu dela.
Dois anos mais tarde, já depois da morte da mãe, a rapariga não resistiu ao desgosto das duas perdas e acabou por perecer.



Pedro Camacho, nº15, TIG
A Costa dos Murmúrios
Antigamente, numa praia onde à sua voltam habitavam muitas pessoas, ocorreu um grande acidente, uma catástrofe natural, um tsunami.
Quando o tsunami ocorreu, todas as pessoas que ali habitavam morreram, menos um grupo de homens com idades entre os vinte e cinco e os quarenta anos, que tinham saído no dia anterior à catástrofe.
Mais recentemente, as habitações começaram a ser reconstruídas, e essa reconstrução estava prevista para demorar cerca de um ano e meio.
Durante a reconstrução das habitações, a polícia local descobriu que o tsunami tinha sido provocado por uma explosão, mas nunca se tinha descoberto os verdadeiros culpados.
Já com as novas habitações construídas e com as novas pessoas já lá a morarem, começou a haver murmúrios sobre quem teria provocado a explosão, e toda a gente especulava que tinha sido o tal grupo de homens, o que os tornou os principais suspeitos.
Esses murmúrios deram nome à praia, a Costa do Murmúrios.
Mas com o passar do tempo começou a haver novos suspeitos, mas quem foi preso foi o tal grupo de homens.

Bruno Silva, nº2, 10ºPTIG
Aqui está uma pequena colectânia de poemas seleccionados pelos alunos do primeiro ano de Curso Profissional de Informática de Gestão. Este é o primeiro passo na concretização do blog desta turma,concebido no âmbito da disciplina de Português. Tem por principal objectivo divulgar os textos de produção escrita criativos redigidos pelos alunos, assim como as principais actividades desenvolvidas por esta turma.
Que importa?...

Eu era a desdenhosa, a indiferente,
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violência de paixão,
Como bate no peito à outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de desejo ou de emoção,
Enquanto as asas loiras da ilusão
Abrem dentro de mim ao sol nascente.

Minh'alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte,
Toda ela é riso e é frescura e graça!

Nela refresca a boca um só instante...
Que importa?... Se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes... quando passa?...

Florbela Espanca

Nunca em amor danou o atrevimento

Nunca em amor danou o atrevimento;
Favorece a Fortuna a ousadia;
Porque sempre a encolhida cobardia
De pedra serve ao livre pensamento.

Quem se eleva ao sublime Firmamento,
A Estrela nele encontra que lhe é guia;
Que o bem que encerra em si a fantasia,
São u~as ilusões que leva o vento.

Abrir-se devem passos à ventura;
Sem si próprio ninguém será ditoso;
Os princípios somente a Sorte os move.

Atrever-se é valor e não loucura;
Perderá por cobarde o venturoso
Que vos vê, se os temores não remove.

Luís de Camõe

Poemas escolhidos pelos alunos Melina, Milene, Pedro Simões e Daniel
Domingo
A FONTE
Com voz nascente a fonte nos convida
A renascermos incessantemente
Na luz do antigo sol nu e recente
E no sussurro da noite primitiva.

Sophia de Mello Breyner

Segunda
GLÓRIA
Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
Miguel Torga

Terça
Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.
Eugénio de Andrade

Poemas escolhidos pelos alunos Roberto e David
É talvez o último dia da minha vida.


É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.

Alberto Caeiro




Hoje de manhã saí muito cedo

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro






O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro






Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.


Alberto Caeiro



Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro


Poemas escolhidos pelo aluno Tiago Campos
ÚLTIMO CREDO


Como ama o homem adúltero o adultério
E o ébrio a garrafa tóxica de rum,
Amo o coveiro - este ladrão comum
Que arrasta a gente para o cemitério!

É o trancendentalíssimo mistério!
É o nous, é o pneuma, é o ego sum qui sum,
É a morte, é esse danado número Um
Que matou Cristo e que matou Tibério!

Creio, como o filósofo mais crente,
Na generalidade decrescente
Com que a substância cósmica evolui ...

Creio, perante a evolução imensa,
Que o homem universal de amanhã vença
O homem particular que eu ontem fui!

A CASA DO TEMPO PERDIDO





Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.


Poemas escolhido pelo aluno Edgar
A Queda
E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.

Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de ouro,
Volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
Eu morro de desdém em frente dum tesouro,
Morro á mingua, de excesso.

Alteio-me na côr à fôrça de quebranto,
Estendo os braços de alma - e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me na sombra - em nada me condenso...
Agonias de luz eu vibro ainda entanto.

Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
- Vencer ás vezes é o mesmo que tombar -
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gêlo, ao gêlo me arremesso...



Mário de Sá-Carneiro


Poema escolhido pelo aluno João Lança
ESTA VIDA NÃO VIVI!
ROMASI
(Rogério Martins Simões)

Será que na vida não vive
Quem na vida já viveu
Ou será que terá vida
Quem nesta vida sofreu
Eu que morri e que vivo
Dentro do mundo que passou
Nos versos que não morrerão
Após rasgar a vida
Irão lembrar quem chorou
E esta vida não viveu
1971

Poema escolhido pelo Vítor