O Inventor de Passados
Após ser demitido, Samuel, que trabalhava num arquivo de identificação, a sua vida começou a correr um pouco mal, começando por perder a sua namorada e os problemas de saúde que a sua mãe tinha não paravam de o atormentar. Agora, sem emprego, seria ainda mais difícil tratar do problema dela e dos seus também, como as dívidas que tinha que pagar.
Samuel andou pela cidade inteira em entrevistas de trabalho à procura de emprego, mas sem sucesso, o que o ia deixando mais deprimido. Com todo este stress, acaba por acontecer algo já previsível, mas muito mau: a morte da sua mãe. Desde aí nunca mais teve vontade de fazer fosse o que fosse, passava os dias ou trancado em casa ou vagueando pelas ruas da cidade, sempre na solidão.
Certo dia, encontrou um grupo de pessoas, perto de um cais, que lhe chamou a atenção, talvez porque se pareciam com ele, na desgraça e na própria solidão. Samuel começara a rondar cada vez mais aquela zona, até que certo dia se meteu com eles. Foi então nesse momento, de ver como os outros estavam, tendo passados dificuldades e problemas, que se lembrou do que poderia fazer para a vida, o trabalho seria ilegal, é uma verdade, mas conseguiria ajudar muita gente e a si próprio, e para mais, ligava a sua antiga profissão ao tal trabalho, com os conhecimentos que tinha, era bem capaz de resultar.
Começou então esse seu trabalho oculto, onde iam aparecendo os passados mais bizarros que podiam existir. O seu trabalho era mudá-los, arranjando identificações e notas que identificassem quem lhe submetera o trabalho de uma forma boa, com um passado apresentável, daí a conseguirem arranjar emprego e/ou uma vida melhor.
Edgar Silva
Nº6 2010/2011
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